Início · Azia e refluxo
Azia que não passa: por que acontece e o que resolve
Quando é só alimentação, quando é refluxo de verdade e em que momento vale investigar.
Queimação atrás do osso do peito, gosto amargo na boca, tosse seca à noite, sensação de que a comida volta. Se isso acontece algumas vezes por mês, provavelmente é alimentação e hábito. Se acontece quase todo dia, já é outra conversa.
Por que acontece
Entre o esôfago e o estômago existe uma espécie de válvula. Quando ela não fecha bem, o conteúdo ácido do estômago sobe. O esôfago não tem a proteção que o estômago tem contra esse ácido, e o resultado é a queimação.
Alguns fatores empurram nessa direção: refeições grandes, deitar logo depois de comer, excesso de peso na barriga, álcool, cigarro, café em grande quantidade, alguns medicamentos, e a hérnia de hiato, quando uma parte do estômago sobe para o tórax.
O que costuma resolver sem remédio
- Jantar mais cedo e esperar duas a três horas antes de deitar
- Elevar a cabeceira da cama entre 15 e 20 centímetros, com calço, não com travesseiro (travesseiro dobra o corpo e piora)
- Refeições menores e mais frequentes
- Reduzir álcool e cigarro
- Perder peso quando há excesso na região abdominal
Essas medidas não são conselho genérico de folheto: em uma parcela grande das pessoas com sintoma leve, elas resolvem sozinhas. Vale tentar por algumas semanas com disciplina antes de concluir que não funcionaram.
Quando o remédio entra
Quando a mudança de hábito não basta, existem medicamentos que reduzem a produção de ácido e permitem que o esôfago se recupere. Eles funcionam bem, e por isso mesmo são usados sem critério: a pessoa toma por meses, o sintoma some, e ninguém nunca investigou a causa.
O tratamento deve ter começo, dose e prazo definidos, e uma reavaliação no fim.
Quando não esperar
Procure avaliação sem adiar se houver dificuldade para engolir, comida que entala, vômito com sangue, fezes pretas com aspecto de borra, emagrecimento sem explicação, anemia, ou se a queimação começou depois dos 40 anos e não passa. Nenhum desses sinais significa por si só algo grave, mas todos são motivo para investigar em vez de acumular meses de automedicação.
O que a endoscopia acrescenta
Ela mostra se o ácido já causou inflamação no esôfago, se existe hérnia de hiato, se há úlcera, e permite pesquisar a bactéria Helicobacter pylori. Também é o exame que descarta as coisas que a pessoa está com medo de ter e não fala em voz alta.
Em resumo
- Azia ocasional costuma ser hábito; azia quase diária pede avaliação
- Jantar cedo e elevar a cabeceira resolvem mais casos do que se imagina
- Remédio funciona, mas precisa de dose, prazo e reavaliação
- Sinais de alarme mudam a urgência e devem ser investigados
Perguntas frequentes
Azia todo dia é normal?
Não é normal, ainda que seja comum. Queimação frequente, mais de uma ou duas vezes por semana, já é motivo de avaliação, tanto pelo incômodo quanto pelo efeito do ácido sobre o esôfago ao longo dos anos.
Leite ajuda?
Alivia por alguns minutos e depois costuma piorar, porque estimula nova produção de ácido. É um dos motivos pelos quais a pessoa acha que está tratando e continua no mesmo lugar.
Preciso fazer endoscopia?
Nem sempre. Muitos casos são tratados clinicamente. O exame ganha peso quando a queimação persiste apesar do tratamento, quando começou depois dos 40 anos, ou quando existe algum sinal de alarme.
Posso tomar omeprazol por conta própria?
É um medicamento de venda livre e muita gente usa por meses sem avaliação. O problema não é a segurança imediata, é o risco de mascarar por um ano um quadro que precisava ser investigado. Se você precisa tomar quase todo dia, isso por si só é motivo de consulta.
Azia quase todo dia?
Vale entender a causa em vez de acumular meses de automedicação. A consulta é por telefone.
(41) 3225-2627Rua Voluntários da Pátria, 400, 11º andar — Edifício Wawel — Centro, Curitiba, PR
